É cliente G9 Energy? Não ignore a comunicação recebida
A G9 Energy está a comunicar a clientes com tarifas fixas de eletricidade a passagem para uma tarifa dinâmica, cujo preço acompanha o mercado grossista OMIE e pode mudar de 15 em 15 minutos. Na prática, o cliente deixa de saber antecipadamente quanto vai pagar por cada kWh e passa a suportar uma parte muito maior do risco das oscilações do mercado.
Esta alteração pode traduzir-se num aumento relevante da fatura, sobretudo para famílias e empresas que consomem mais energia de manhã, ao final da tarde e à noite, períodos em que os preços do mercado tendem frequentemente a ser mais elevados.
O aumento não será igual para todos. Depende do contrato anterior, do consumo, dos horários em que a eletricidade é utilizada, da potência contratada e do comportamento do mercado. Ainda assim, em cenários desfavoráveis, uma subida superior a 50% é possível.
Atualizado em 29 de julho de 2026. Este artigo resume a informação conhecida nesta data e deve ser confirmado com a comunicação individual enviada pela G9 a cada cliente.
O que está a acontecer com os contratos da G9 Energy?
Nos últimos dias, clientes da G9 receberam diferentes comunicações relacionadas com a atividade de energia, incluindo novas condições contratuais, alterações de preços e a passagem de contratos com preço fixo para uma modalidade dinâmica ligada ao mercado ibérico de eletricidade.
Segundo a comunicação divulgada e analisada pela DECO PROteste, a G9 informou clientes de que deixaria de manter os tarifários fixos abrangidos e que o fornecimento passaria automaticamente para um tarifário dinâmico. Neste modelo, o preço da energia é atualizado em períodos de 15 minutos e inclui uma margem de comercialização de 0,0080 €/kWh, à qual acrescem outros custos aplicáveis.
A G9 indica também que os clientes podem exercer o direito de resolução ou mudar para outro comercializador sem penalização na sequência da alteração. A situação concreta deve, no entanto, ser verificada no contrato e na comunicação recebida por cada titular.
Qual é a data de entrada em vigor da alteração?
A data não deve ser assumida como igual para todos os clientes. A DECO PROteste refere comunicações em que a G9 apresentava a alteração como aplicável durante o mês de julho de 2026. Em comunicações analisadas pela Mais no Bolso, determinadas atualizações de condições e preços indicam 15 de agosto de 2026.
Por isso, confirme sempre:
- A data indicada no email ou carta que recebeu.
- O período de consumo abrangido pela primeira fatura com os novos valores.
- Se o pré-aviso contratual foi respeitado.
- Se existem diferenças entre a comunicação, as condições gerais e a fatura emitida.
Se a fatura apresentar novos encargos antes da data comunicada, peça à G9 uma explicação discriminada e a indicação da cláusula contratual utilizada.
O que é uma tarifa dinâmica ligada ao OMIE?
O OMIE é o operador do mercado grossista de eletricidade da Península Ibérica. É neste mercado que se formam os preços de referência da energia para Portugal e Espanha.
Numa tarifa fixa, o preço contratual por kWh mantém-se estável durante o período acordado, salvo alterações previstas no contrato ou em componentes reguladas. Numa tarifa dinâmica, o preço varia ao longo do dia, acompanhando o valor do mercado em cada intervalo de 15 minutos.
Isto significa que dois clientes com o mesmo consumo mensal podem pagar valores diferentes caso utilizem a energia em horários distintos. Quem conseguir deslocar consumos para períodos baratos poderá reduzir parte do impacto. Quem consome sobretudo nos períodos mais caros fica mais exposto.
Tarifa fixa, indexada e dinâmica não são a mesma coisa
- Tarifa fixa: o preço comercial da energia é previamente conhecido e oferece maior previsibilidade.
- Tarifa indexada: o preço acompanha uma média do mercado durante um determinado período, normalmente diário ou mensal, conforme a fórmula contratada.
- Tarifa dinâmica: o preço muda em cada intervalo do mercado, atualmente de 15 em 15 minutos.
A modalidade comunicada aos clientes G9 transfere para o consumidor o risco das variações do mercado. O preço pode descer em algumas horas, mas também pode subir rapidamente noutras.
Como é calculado o novo preço da G9?
A informação publicada pela G9 apresenta uma fórmula baseada no preço OMIE, à qual são acrescentadas várias componentes. Entre elas podem estar:
- Preço da energia no mercado grossista OMIE.
- Perdas nas redes de transporte e distribuição.
- Fator de adequação aplicado pelo operador de rede.
- Custos de gestão global do sistema e encargos de regulação.
- Margem ou custo de comercialização, indicada em 0,0080 €/kWh.
- Tarifas de acesso às redes.
- Impostos, taxas e contribuição audiovisual aplicáveis.
- Preço diário da potência contratada.
Por esta razão, olhar apenas para o valor do OMIE não permite saber o preço final que aparecerá na fatura. Mesmo quando o mercado grossista apresenta valores muito baixos, continuam a existir outras componentes.
Um preço OMIE de 0 €/kWh não significa eletricidade gratuita. Continuam a ser cobrados custos de sistema, redes, comercialização, potência, taxas e impostos.
O que é o encargo ERS que aparece em algumas faturas?
Alguns clientes têm questionado a rubrica Encargos de Regulação de Sistema, ou ERS. Em respostas enviadas a clientes, a G9 tem defendido que este custo decorre de componentes regulatórias e que as condições contratuais permitem repercutir alterações tarifárias, legislativas ou regulamentares.
Contudo, a aplicação concreta deve ser analisada caso a caso. É importante confirmar:
- Qual o período de consumo a que o ERS se refere.
- Quando entrou em vigor o encargo aplicado.
- Se o valor já estava incluído no preço contratado ou passou a ser cobrado separadamente.
- Qual a cláusula das condições gerais invocada pela G9.
- Se a informação foi comunicada previamente de forma clara.
O facto de um encargo ter origem regulatória não dispensa a necessidade de a fatura ser transparente e permitir ao cliente perceber o que está a pagar.
Quanto pode aumentar a fatura de um cliente G9?
Não é possível indicar uma percentagem única e garantida, porque o novo preço depende do mercado e do perfil horário de cada cliente. Ainda assim, existem referências úteis para perceber a dimensão do risco.
A DECO PROteste alertou que, além do preço OMIE, as restantes componentes podem representar mais de 0,10 €/kWh, mesmo quando o preço grossista se aproxima de zero. Com os valores observados no mercado durante as últimas semanas de julho de 2026, um preço dinâmico total pode ultrapassar os 0,20 €/kWh e chegar perto de 0,30 €/kWh nos períodos mais caros.
Exemplo simples com 300 kWh por mês
Considere apenas a parcela de energia, sem potência, impostos ou outros encargos:
- A 0,15 €/kWh: 300 kWh custam 45 €.
- A 0,20 €/kWh: 300 kWh custam 60 €, um aumento de 15 € ou cerca de 33%.
- A 0,25 €/kWh: 300 kWh custam 75 €, um aumento de 30 € ou cerca de 67%.
- A 0,30 €/kWh: 300 kWh custam 90 €, o dobro do valor inicial.
Este exemplo mostra por que motivo um aumento superior a 50% é possível. O impacto na fatura total será diferente, porque parte do valor mensal corresponde à potência, taxas, impostos e contribuição audiovisual.
A DECO PROteste estimou ainda que uma fatura de referência de 100 €, associada a um perfil tradicional com consumos de manhã e ao início da noite, poderá aproximar-se do dobro caso o cliente não consiga deslocar consumos para horários mais baratos.
Quem corre maior risco de pagar mais?
A tarifa dinâmica tende a ser mais arriscada para clientes que:
- Consomem muita eletricidade ao início da manhã e ao final do dia.
- Usam forno, placa, ar condicionado ou aquecimento elétrico nas horas mais caras.
- Têm termoacumulador sem temporizador.
- Carregam o automóvel elétrico logo após chegarem a casa.
- Não conseguem acompanhar diariamente os preços do mercado.
- Precisam de previsibilidade para controlar o orçamento familiar ou empresarial.
Empresas com consumo elevado durante períodos de maior procura devem ter cuidados adicionais. Uma diferença de poucos cêntimos por kWh pode representar dezenas, centenas ou milhares de euros ao longo do ano.
Uma tarifa dinâmica pode compensar?
Pode, mas não automaticamente. Uma tarifa dinâmica pode ser interessante para clientes informados, com contador inteligente, acesso aos dados de consumo e flexibilidade para utilizar equipamentos nas horas mais baratas.
É mais provável existir vantagem quando o cliente consegue:
- Programar máquinas, termoacumuladores e carregamentos.
- Evitar consumos elevados nos períodos de maior preço.
- Acompanhar regularmente o OMIE.
- Aceitar variações mensais significativas na fatura.
- Reagir rapidamente quando o mercado deixa de ser favorável.
Para a maioria dos consumidores, comparar apenas a média mensal do OMIE não é suficiente. É necessário cruzar os preços de cada intervalo com o consumo real registado nesses mesmos horários.
Quais são os direitos dos clientes G9?
De acordo com a informação divulgada, os clientes abrangidos pela alteração podem mudar para outro comercializador ou resolver o contrato sem penalização. A ERSE esclarece também que a mudança de comercializador é gratuita e não implica interrupção do fornecimento de eletricidade.
Perante uma alteração contratual, o cliente deve:
- Guardar o email, a carta e as novas condições gerais.
- Verificar a data de entrada em vigor e o prazo de pré-aviso.
- Comparar a nova fórmula com o preço anterior.
- Confirmar se existe fidelização ou alguma condição adicional.
- Pedir esclarecimentos por escrito quando a informação não for clara.
- Simular alternativas antes de decidir permanecer ou mudar.
Em regra, alterações contratuais devem ser comunicadas previamente e de forma clara. A DECO refere um pré-aviso normalmente associado a 30 dias, mas a análise deve considerar o contrato concreto e a data em que foi celebrado.
Não escolha outra tarifa apenas pelo preço por kWh
Ao comparar uma alternativa à G9, analise o custo total e não apenas o valor mais destacado na publicidade. Confirme:
- Preço da energia com tarifas de acesso às redes incluídas.
- Preço diário da potência contratada.
- Financiamento da tarifa social, quando aplicável.
- Descontos temporários e duração da campanha.
- Obrigação de débito direto ou fatura eletrónica.
- Fidelização, serviços adicionais e penalizações.
- Preço após o fim da promoção.
- Qualidade e disponibilidade do apoio ao cliente.
Uma proposta com um kWh mais barato pode acabar por ser mais cara se tiver uma potência elevada, serviços adicionais ou descontos de curta duração.
O que deve fazer agora se é cliente G9 Energy?
- Não ignore a comunicação: leia a data, a nova fórmula e os seus direitos.
- Guarde a última fatura: será necessária para comparar consumos, potência e preços.
- Não espere pela primeira fatura mais alta: as condições podem ser avaliadas antes da entrada em vigor.
- Compare propostas fixas e indexadas: utilize exatamente o mesmo consumo e período.
- Peça uma análise personalizada: cada contrato e perfil de consumo é diferente.
Simule a sua fatura G9 com a Mais no Bolso
Se recebeu uma comunicação da G9, envie-nos a sua fatura mais recente. A Mais no Bolso analisa o contrato, estima o impacto da nova tarifa e compara alternativas disponíveis entre várias marcas parceiras.
A análise não tem custos para o cliente e é feita com base no consumo real, na potência contratada, no horário e nas condições completas de cada proposta. Explicamos as diferenças de forma simples e, caso decida mudar, tratamos de todo o processo sem complicações.
- Telefone: 261 012 815
- Telemóvel e WhatsApp: 939 009 119
- Email: geral@maisnobolso.pt
- Website: www.maisnobolso.pt
Envie a última fatura e a comunicação recebida da G9. Verificamos quanto poderá pagar e se existe uma alternativa mais previsível ou económica para o seu perfil.
Perguntas frequentes sobre a alteração da G9 Energy
A G9 acabou com todas as tarifas fixas?
A comunicação divulgada pela G9 e analisada pela DECO indica a substituição dos contratos fixos abrangidos por uma tarifa dinâmica. Como podem existir contratos, datas e comunicações diferentes, confirme o que está escrito no documento que recebeu.
O preço da G9 vai mudar de 15 em 15 minutos?
Na modalidade dinâmica comunicada, sim. A componente ligada ao mercado acompanha os preços formados em intervalos de 15 minutos. O valor final inclui outras componentes para além do OMIE.
O aumento da fatura será superior a 50%?
Não necessariamente. Pode ser inferior, superior ou até inexistente em determinados períodos. Contudo, uma subida acima de 50% é possível quando o preço total por kWh aumenta de forma significativa e o consumo se concentra nas horas mais caras.
Posso sair da G9 sem pagar penalização?
A G9 comunicou a possibilidade de resolução ou mudança de comercializador sem penalização devido à alteração. Confirme as condições do seu contrato e guarde prova do pedido efetuado.
Mudar de comercializador provoca corte de eletricidade?
Não. A mudança é um processo comercial e não implica interrupção do fornecimento. A rede elétrica e o contador mantêm-se.
Vale a pena mudar imediatamente para uma tarifa fixa?
Depende dos preços disponíveis, do seu consumo e da tolerância ao risco. Uma tarifa fixa oferece maior previsibilidade, mas deve ser comparada pelo custo total anual e não apenas pelo preço anunciado.
A Mais no Bolso compara todo o mercado?
A Mais no Bolso compara propostas de várias marcas e parceiros disponíveis para o perfil do cliente. A recomendação é baseada nos preços, condições e consumos analisados no momento, sem garantia de poupança futura.